Quando assinamos o acordo de confidencialidade

carimbo de confidencialidade

Acordo de confidencialidade, o famoso NDA (Non-Disclosure Agreement ou Acordo de Não Divulgação), é um documento, geralmente solicitado por empreendedores para investidores, que determina que ambos ficam proibidos de divulgar qualquer informação que seja trocada entre as partes no decorrer da análise da oportunidade de investimento.

Geralmente os empreendedores que pedem para um investidor assinar um acordo de confidencialidade e são sócios de uma empresa nascente, ou com faturamento muito embrionário, dão mais valor para a ideia do que para a execução.

A grande verdade é:

Se o seu negócio possui um segredo que, se divulgado, pode ameaçar a sua competitividade, dificilmente um investidor vai se interessar.

Principalmente quando o processo de análise do investimento ainda está nas primeiras fases.

Quando um empreendedor nos pede para assinar um NDA nós sempre falamos que ele deve enviar apenas as informações com as quais se sinta confortável de divulgar. O restante que se mantenha em sigilo, até o processo avançar um pouco mais.

OK! Mas quais são as razões de não assinar, do que vocês têm medo?

Por que não assinamos NDA’s no início?

Os motivos são simples. O primeiro é que faz parte do nosso trabalho conversar com centenas de empreendedores com milhares de ideias diferentes, de todos os setores e estágios de desenvolvimento. Se todos pedissem um NDA, logo nas primeiras conversas, ficaríamos completamente travados e não conseguiríamos mais investir em nenhuma empresa semelhante, caso aquela com a qual assinamos o NDA não avance.

segundo motivo é a mensagem que o empreendedor passa. Para nós é uma mistura de ingenuidade, com desconhecimento da indústria de investimentos e algumas vezes arrogância, de achar que ninguém nunca pensou no que ele está pensado em fazer.

terceiro é que é muito cedo para qualquer tipo de compromisso. As primeiras fases são de conhecimento, um namoro, quando a sintonia pessoal conta mais do que os segredos do negócio.

quarto e último motivo é que o venture capital é um negócio baseado em reputação e relacionamento. Se nós saíssemos copiando ideias e compartilhando segredos de negócios por aí, quem mais nos procuraria para receber investimento ou mesmo investir?

Quando assinamos um acordo de confidencialidade?

Todas as vezes que assinamos um NDA a situação respeitava duas condições essenciais. Uma era que o processo já tinha avançado bastante. Já conhecíamos os empreendedores muito bem e tínhamos a certeza de que se fossemos entrar naqueles mercados só poderia ser com aqueles empreendedores, e que, mesmo se não avançássemos com a empresa, não investiríamos em seus concorrentes diretos ou indiretos.

A outra condição era que associávamos sempre a confidencialidade com um período de exclusividade. Ou seja, nós nos comprometíamos com o empreendedor de manter sigilo e a contrapartida dele era negociar o investimento apenas conosco por um período determinado. Assim poderíamos, ambos, nos debruçar na oportunidade e destrinchar os números e as tecnologias.

O resultado foi que investimos em 90% das empresas com as quais assinamos um NDA.

Quando pedir a assinatura de um NDA?

Minha sugestão é que, antes de avançar no processo, o empreendedor procure conhecer bem o investidor, avalie sua reputação e converse com empresas investidas. Depois de algumas reuniões de reconhecimento e enquadramento, cada um nos seus critérios, o empreendedor já deve ter uma noção muito boa da probabilidade de evolução ou não. Nesse momento é a hora de detalhar os números e a estratégia de execução, e o mais importante: gastar muito mais tempo com aquele investidor.

Essa é a hora de sugerir um NDA. Não pelo sigilo da informação em si, mas para testarse aquele investidor está falando sério com você ou só sugando informações suas.

Posso falar por mim e meus sócios, mas tem muito aventureiro entrando nesse mercado e fazendo besteira. O empreendedor tem que enxergar além do dinheiro e se proteger de eventuais amadorismos ou más intenções, gastando tempo com quem vale à pena.

 

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