O clichê da projeção financeira conservadora

meme sobre projeção financeira conservadora

Depois que concordamos que é necessário construir uma projeção financeira, e que dificilmente alguém conseguiria investimento se não tivesse alguma ideia do que fazer com o dinheiro, vem a pergunta: o que apresentar? Aqui mora o perigo.

Independente do seu modelo de negócios, do estágio de desenvolvimento da sua empresa, da confiança que você tem nas premissas do modelo financeiro, da quantidade de cenários que você simulou, seja o que for, NUNCA apresente uma projeção na sua versão conservadora ou pessimista. Não escreva, não acredite, muito menos fale isso para alguém.

Depois de analisar algumas centenas de projeções “conservadoras” que nunca foram alcançadas, eu garanto:

Conservador aqui é um eufemismo para “eu não faço a menor ideia do que vai acontecer”.

Esse é um forte sinal de que as expectativas não têm fundamento e que o empreendedor está inseguro em relação aos resultados. Tanto para cima quanto para baixo. Na maioria das vezes, os empreendedores que fazem análise de cenários e escolhem apresentar as projeções conservadoras caem em duas situações distintas:

1. Projeção financeira conservadora que na verdade é pessimista

Nesses casos, os empreendedores pensam pequeno demais e as projeções acabam ficando abaixo do desejado.

É bom ressaltar que o desafio do venture capital é ajudar a empresa a crescer muito, muito rápido. Então eu pergunto:

Por que você apresentaria uma projeção conservadora para alguém que quer multiplicar em 10 vezes o valor da sua empresa?

Qual é o constrangimento de apresentar o cenário otimista?

Geralmente a desculpa é algo meio cínico do tipo: “estamos propondo um valuation baseado na projeção conservadora, mas também posso mostrar o cenário otimista para vocês verem até onde podemos chegar”.

Quando escuto isso só vem uma coisa a minha mente: essa pessoa não acredita no cenário otimista. Portanto, ao invés de usar uma falsa modéstia, apresente sempre a projeção em que você acredita e que vai trabalhar para entregar.

2. Projeção financeira conservadora que na verdade é muito otimista

Acontece quando os empreendedores possuem expectativas muito fora da realidade e projetam premissas baseando-se em chutes.

Nesses casos, a construção de diversos cenários serve para gerar um pouco mais de confiança e tentar diminuir a percepção de risco. Só tentam. Na verdade, acabam aumentando as dúvidas. É como aumentar o tamanho do alvo, mas na verdade todo mundo sabe que a flecha vai cair bem longe do centro.

Construir cenários é uma atividade saudável, muito importante para a tomada de decisão, e só para isso. Não faz sentido apresentar uma variação de incertezas. Empreender não é loteria, é construção.

Lembre-se sempre de três verdades:

#1 Projeção financeira de startups não é previsão de futuro, é plano de execução.

#2 Planejamentos em startups devem ser revistos constantemente. Todo mês, se possível.

#3 Desvios de percurso são normais, adapte-se, corrija os erros e aprenda com eles.

Concordando ou não sobre o que eu disse, pense a respeito. No final das contas você pode pelo menos evitar o risco de passar vergonha quando não atingir nem a versão mais “modesta” dos planos da empresa.

 

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