Afinal, o que é venture capital?

Introdução ao venture capital

O venture capital é definido como o investimento feito por profissionais, investidores de longo prazo, que injetam recursos financeiros em troca de participação societária (ações) em pequenas empresas privadas, com alto potencial de crescimento, almejando o ganho de capital.

O termo não tem tradução literal em português. A melhor tradução para “venture” seria “empreendimento de risco”. No início, usava-se muito a expressão “capital de risco” no Brasil para fazer referência ao mesmo conceito, mas hoje em dia o mercado tem preferido usar o termo “capital empreendedor”, por ser mais amigável e menos agressivo.

Do ponto de vista do empreendedor, podemos resumir o venture capital em três momentos distintos, conforme a figura:

Do ponto de vista da empresa de venture capital, é um pouco mais complicado que isso.

Antes de investir é preciso captar recursos financeiros com investidores (pessoas físicas e jurídicas) e instituições (fundos de pensão e governo) para a formação de um fundo de investimento.

Uma vez que as empresas de venture capital viabilizam um fundo de investimento, precisam prospectar e avaliar oportunidades, estruturar e executar as operações de investimento com os empreendedores, monitorar os investimentos e, por último, vender as ações adquiridas por um preço bem maior do que no momento do investimento.

Na maioria das vezes os gestores de venture capital acabam se envolvendo ativamente na gestão destas empresas, normalmente se tornando membros do conselho administrativo e absorvendo importantes direitos econômicos além dos direitos societários.

De forma bem resumida, o venture capital é isso. A seguir, estão cinco perguntas que podem esclarecer ainda mais sobre essa modalidade de investimento.

1. Por que o venture capital existe?

O venture capital se tornou, ao longo dos anos, uma alternativa legítima de financiamento para empresas, principalmente para as empresas classificadas como nascentes e inovadoras. Tais empresas muitas vezes atuam na fronteira de tecnologias e necessitam de financiamento externo, pois não geram receita suficiente para manter sua operação ou precisam de capital para acelerar o crescimento.

Além disso, normalmente, empresas nascentes possuem poucos ativos tangíveis e operam em mercados emergentes que mudam rapidamente. Esse tipo de investimento é considerado de alto risco para bancos comerciais, que não costumam emprestar dinheiro a empresas nesse estágio e com esse perfil.

Organizações de venture capital financiam esses projetos de alto risco e de alto potencial de retorno, comprando cotas ou ações, enquanto as empresas ainda possuem seu capital fechado. Ou seja, não estamos falando de ações de empresas listadas na bolsa de valores (capital aberto).

2. O empreendedor é obrigado a pagar o investidor?

Essa é uma pergunta frequente, uma falha de entendimento comum que precisa ser esclarecida. E a resposta é NÃO! Como dito anteriormente, o investidor, através de um fundo de investimento gerenciado por uma empresa de venture capital, compra ações emitidas pela empresa e vira sócio dos fundadores. Se a empresa falir, todos perdem juntos e, se a empresa estourar, todos saem ganhando.

3. Qual é a participação que um fundo de venture capital geralmente pega de uma empresa?

A melhor prática nesse sentido é sempre a aquisição de uma participação minoritária, mas relevante, na empresa. Investidores profissionais, sejam eles anjos ou gestores de fundos, tem a consciência de que o sucesso depende muito dos fundadores da empresa e que eles devem ter a maioria das ações mesmo depois de duas ou três rodadas de investimento.

Essa premissa se traduz em realidade quando observamos que a esmagadora maioria dos casos as participações ficam entre 20% e 30%. Isso permite que a empresa capte até três rodadas e os fundadores permaneçam com o controle, mas ainda concedendo uma participação relevante para o investidor, que, afinal de contas, precisa ter retorno sobre o capital investido.

4. Como a empresa de venture capital ganha dinheiro?

Existem duas formas principais nas quais uma empresa de venture capital é remunerada:

Taxa de administração – um valor cobrado de forma recorrente, enquanto o fundo está operando, calculada sobre o total do patrimônio do fundo. É essa taxa que paga as despesas fixas e salários da empresa de venture capital.

Taxa de sucesso – essa é uma remuneração sobre o retorno do fundo. Geralmente se define uma taxa mínima de retorno aceitável, e a empresa de venture capital recebe, ao final do fundo, uma parcela do capital que exceder essa taxa mínima. Isso alinha interesses, fazendo com que os gestores trabalhem duro para fazer a empresa crescer.

5. Qual a relevância econômica do venture capital?

Apesar de seu escopo envolver empresas nascentes e emergentes, o setor de venture capital ajudou a criar muitas empresas bem-sucedidas, incluindo Apple, Intel, FedEx, Microsoft, Sun Microsystems e Compaq Computer. Cada uma dessas empresas recebeu aporte de fundos de venture capital no início de seu desenvolvimento e, posteriormente, tornaram-se empresas de capital aberto.

Apesar do surgimento da primeira empresa de venture capital ter acontecido na década de 40, foi a partir da década de 80 que a indústria de venture capital nos Estados Unidos cresceu de forma acelerada. Os fluxos de injeção de capital expandiram de virtualmente zero, na metade dos anos 70, para a ordem de US$ 105 bilhões em 2000 – o que acabou culminando com o famoso estouro da bolha da internet.

Depois de uma forte retração, o mercado se recuperou atingindo US$ 80 bilhões investidos em mais de 9 mil empresas em 2015. No Brasil, segundo a ABVCAP (Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital), foram investidos cerca de R$ 1 bilhão em 96 empresas no ano de 2015.

Temos muito trabalho pela frente!

 

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